Como escolher um parceiro de implementação de IA para uma PME

Uma boa apresentação de IA é fácil de fazer. Uma implementação que continua a funcionar ao fim de seis meses é outra conversa.

Esta checklist ajuda uma PME a comparar propostas sem depender de demos preparadas, nomes de modelos ou promessas de produtividade.

1. O problema está definido como um processo?

A proposta deve identificar:

  • onde o trabalho começa;
  • quem participa;
  • que sistemas e documentos são usados;
  • quais são os passos atuais;
  • onde existem esperas, erros e retrabalho;
  • qual é o resultado esperado.

Sinal de alerta: a solução começa com uma ferramenta e não com um processo concreto.

Pergunta a fazer:

Pode mostrar o fluxo atual e o fluxo proposto, incluindo as exceções?

2. Existe uma baseline antes de começar?

Sem baseline, qualquer melhoria pode parecer sucesso.

A proposta deve definir o que será medido antes e depois. Por exemplo:

  • minutos por ocorrência;
  • ocorrências por semana;
  • taxa de erro ou retrabalho;
  • tempo de resposta;
  • número de pendentes;
  • percentagem de casos que exige intervenção humana.

Sinal de alerta: promessas de ROI sem explicar os dados de partida e a fórmula.

Pergunta a fazer:

Que dados temos de recolher antes do piloto para decidir se valeu a pena?

3. Está claro onde entra IA e onde entram regras?

Nem todos os passos devem usar um modelo de IA.

Extração de texto variável, classificação e preparação de rascunhos podem beneficiar de IA. Validações, permissões, limites financeiros, deduplicação e ações irreversíveis tendem a precisar de regras claras.

Sinal de alerta: o modelo decide tudo e não há separação entre interpretação e controlo.

Pergunta a fazer:

Que partes são probabilísticas e que partes são determinísticas?

4. A proposta mostra o caminho das exceções?

O processo real não é uma demo perfeita.

A proposta deve explicar o que acontece quando:

  • falta informação;
  • o documento não é legível;
  • existem dois registos possíveis;
  • o sistema externo está indisponível;
  • a confiança do modelo é baixa;
  • uma pessoa rejeita a sugestão;
  • a ação falha a meio.

Sinal de alerta: só existe o percurso feliz.

Pergunta a fazer:

Pode mostrar um caso em que o sistema não sabe o que fazer?

5. Quem pode ver e alterar cada dado?

A resposta precisa de ser específica. "É seguro" não chega.

Peça informação sobre:

  • dados enviados a cada fornecedor;
  • local e prazo de retenção;
  • utilização dos dados para treino;
  • permissões por utilizador e sistema;
  • registos de acesso e ações;
  • subprocessadores relevantes;
  • eliminação e exportação de dados;
  • resposta a incidentes.

As condições variam por produto, licença e configuração. Por exemplo, a OpenAI declara que não usa dados de produtos empresariais e API para treino por defeito.[4] A Microsoft declara proteção por permissões do utilizador e compromissos próprios para os dados usados pelo Copilot.[3] Isto não dispensa a verificação do produto contratado, dos conectores e da configuração concreta.

Sinal de alerta: a resposta mistura políticas de um produto gratuito com as condições do produto empresarial proposto.

Pergunta a fazer:

Pode listar todos os sistemas que recebem dados e a base contratual para cada um?

6. A autonomia está dividida por risco?

A proposta deve distinguir:

  • ler;
  • sugerir;
  • preparar;
  • executar;
  • executar com aprovação;
  • bloquear e escalar.

Uma alteração numa nota interna não tem o mesmo risco que enviar um email, alterar um preço ou aprovar um pagamento.

Sinal de alerta: "totalmente autónomo" aparece como benefício sem limites operacionais.

Pergunta a fazer:

Que ações ficam sempre dependentes de uma pessoa e como é registada a aprovação?

7. Como será testado?

Peça um plano de testes antes da produção.

Deve incluir:

  • exemplos normais;
  • exceções conhecidas;
  • dados incompletos;
  • duplicados;
  • falhas de integrações;
  • permissões erradas;
  • instruções maliciosas presentes em emails ou documentos;
  • regressões após alterações.

Sinal de alerta: "testámos com alguns exemplos" sem conjunto de teste, critérios de aprovação ou resultados guardados.

Pergunta a fazer:

Que casos têm de passar para o piloto entrar em produção?

8. O custo total está separado?

Compare propostas com a mesma estrutura:

  • diagnóstico e desenho;
  • implementação;
  • integrações;
  • licenças;
  • utilização de modelos;
  • infraestrutura;
  • monitorização;
  • suporte;
  • alterações futuras;
  • formação e adoção;
  • saída ou migração.

Sinal de alerta: preço inicial baixo que exclui operação, suporte e consumo.

Pergunta a fazer:

Quanto custa manter este sistema com o volume atual e com o dobro do volume?

9. A empresa consegue sair?

A implementação deve ter um caminho de reversão.

Confirme:

  • quem é dono do código, prompts, configurações e documentação;
  • como exportar dados e logs;
  • se as integrações usam contas da empresa;
  • o que acontece quando o contrato termina;
  • quanto tempo demora desligar ou voltar ao processo anterior;
  • que componentes dependem de um fornecedor específico.

Sinal de alerta: o fornecedor controla todas as contas e não existe documentação de saída.

Pergunta a fazer:

Se terminarmos a relação amanhã, o que fica connosco e o que deixa de funcionar?

10. Quem mantém o sistema depois do lançamento?

Modelos, APIs, formatos de documentos e processos mudam.

A proposta deve indicar:

  • quem recebe alertas;
  • que falhas são monitorizadas;
  • prazo de resposta;
  • como são aprovadas alterações;
  • como se evitam regressões;
  • que métricas serão revistas;
  • como ficam registadas decisões e incidentes.

Sinal de alerta: o projeto termina no dia da demo.

Pergunta a fazer:

Quem verifica, daqui a três meses, se o sistema continua a fazer o que foi aprovado?

Grelha de comparação

Atribua 0, 1 ou 2 pontos a cada área:

  • 0: não está explicado;
  • 1: existe uma resposta genérica;
  • 2: existe uma resposta específica, verificável e incluída na proposta.
Grelha de comparação
Área Pontos
Processo atual e futuro /2
Baseline e métricas /2
Separação entre IA e regras /2
Exceções e falhas /2
Dados, privacidade e acessos /2
Autonomia por risco /2
Testes e aprovação /2
Custo total /2
Reversibilidade /2
Manutenção /2
Total /20

Uma pontuação alta não substitui referências, uma análise técnica ou revisão contratual. Serve para encontrar perguntas que ainda não foram respondidas.

A pergunta final

Peça ao parceiro que demonstre três coisas:

  1. um caso normal;
  2. uma exceção;
  3. uma falha de integração.

Se a proposta só funciona no primeiro caso, ainda não descreve um sistema de produção.

Traga um processo ou uma proposta

Podemos usar esta checklist numa conversa de 15 minutos. O objetivo é perceber o que está bem definido, o que falta medir e onde está o risco antes de começar.

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Fontes

  1. [1] https://www.sap.com/portugal/resources/what-are-ai-agents
  2. [2] https://learn.microsoft.com/en-us/microsoft-365/copilot/microsoft-365-copilot-overview
  3. [3] https://learn.microsoft.com/en-us/microsoft-365/copilot/microsoft-365-copilot-privacy
  4. [4] https://openai.com/enterprise-privacy
  5. [5] https://help.openai.com/en/articles/11487775-connectors-in-chatgpt